Catalisadores para navios a amoníaco: 99% em testes de laboratório

O amoníaco surgiu como um combustível que emite pouco gás com efeito de estufa quando queimado, e é por isso que a navegação o está a considerar. Os seus gases de escape são outra questão. No Instituto Coreano de Investigação em Energia (KIER), uma equipa liderada pelo Dr. Sun-Mi Hwang desenvolveu catalisadores que, em testes de laboratório, removem cerca de 99% dos poluentes visados desses gases de escape.
O problema está no que sai pela chaminé. A combustão do amoníaco produz óxidos de azoto (NOx), amoníaco não queimado e óxido nitroso (N2O), um gás com efeito de estufa cujo potencial de aquecimento global é cerca de 300 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO2). Os navios a gasóleo já utilizam catalisadores que tratam apenas os óxidos de azoto. Os navios a amoníaco precisam de catalisadores separados e de equipamento adicional para o restante, o que ocupa espaço a bordo e aumenta os custos de instalação. A equipa considera isto a principal barreira à comercialização.
O catalisador híbrido da equipa remove em conjunto os óxidos de azoto e o amoníaco não queimado, com uma única camada de catalisador que decompõe ambos com uma eficiência de cerca de 99%. Custa pelo menos 80% menos do que as alternativas existentes de metais nobres, e a utilização de catalisador pode ser reduzida até 50%. O segundo catalisador visa o óxido nitroso e funciona a 350 °C, a temperatura real dos gases de escape dos navios e cerca de 100 °C abaixo dos catalisadores comerciais convencionais, que a equipa afirma ultrapassarem os 450 °C. Decompõe o óxido nitroso com uma eficiência superior a 99% e não necessita de agente redutor externo.
Para um armador, o ganho está no espaço, no peso e no dinheiro. A equipa afirma que ambos os catalisadores podem ser integrados diretamente nos sistemas de tratamento de gases de escape já existentes nos navios a gasóleo, o que, segundo espera, acelerará a comercialização. Trata-se de uma expectativa, não de um calendário: o próximo passo são demonstrações à escala-piloto em sistemas de motores alimentados a amoníaco, e a equipa não avança qualquer data.
Os números provêm dos próprios testes de reação catalítica da equipa, publicados na revista Applied Catalysis B: Environment and Energy. Ainda não foram verificados num motor em funcionamento. Hwang considera os catalisadores um avanço contra «a barreira mais temível para a navegação a amoníaco», uma afirmação que será testada quando saírem do laboratório.
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