IA segue cérebro fetal em movimento na ressonância magnética

A ressonância magnética fetal é uma longa espera para a mãe e um exame difícil para o radiologista. A mãe pode passar uma hora dentro da máquina e ainda desistir a meio, e o médico pode acabar sem a imagem completa e nítida necessária para acompanhar o desenvolvimento do cérebro do bebé. Ramya Muthukrishnan, doutoranda no MIT, viveu essa frustração na primeira pessoa quando acompanhou um radiologista do Boston Children's Hospital no início do doutoramento.
O problema é mecânico. Uma ressonância magnética fetal é montada a partir de uma série de imagens 2D, ou fatias, empilhadas numa única imagem 3D da cabeça. Se o bebé se mexer, cada fatia pode acabar captada a partir de um ângulo diferente, deixando lacunas na cobertura e orientações de fatia pouco habituais. Como afirma Muthukrishnan, «se houver lacunas de cobertura, não se conseguem ver regiões críticas, e é preciso ver bem para detetar um desenvolvimento anómalo».
O modelo que ajudou a construir, o E(3)-Pose, foi concebido para acompanhar esse movimento. A sua característica distintiva é recorrer à física e não apenas aos dados: a simetria esquerda-direita da cabeça do feto está integrada na arquitetura da rede neuronal, em vez de ficar entregue ao modelo para a aprender a partir de exemplos. Isto facilita ao modelo identificar a orientação do cérebro enquanto ele se move. O trabalho é liderado por Muthukrishnan no laboratório de Polina Golland, com coautores da Harvard Medical School e do Boston Children's, e com Benjamin Billot, da Inria, que desenvolveu o método inicial. Borjan Gagoski desenvolveu uma sequência de ressonância que adquire exames adicionais para ajudar a treinar o modelo, e Aryn Lee recrutou as voluntárias grávidas.
Segundo a própria equipa, o projeto revelou-se mais difícil do que a teoria. Muthukrishnan, que vem da informática, conta que o scanner avariou várias vezes quando passou o método do treino numa GPU para a execução no equipamento. O artigo foi apresentado na Conferência Europeia de Visão por Computador de 2026 e está disponível como pré-print no arXiv, o que significa que está publicamente divulgado, mas ainda não passou por um estudo clínico.
Para pais e clínicos, a promessa é um exame mais completo e menos penoso de suportar. Grant, que dirige o Centro de Neuroimagem Fetal e Neonatal e de Ciências do Desenvolvimento do Boston Children's, espera que a abordagem automatize a ressonância cerebral fetal, substituindo um processo manual e lento. Os investigadores afirmam ainda que o método pode ajudar com outras anatomias difíceis de captar por imagem e, até, com a condução autónoma. As fontes não indicam um calendário para a utilização nos hospitais, e os resultados ainda precisam de ser confirmados em condições clínicas de rotina antes de qualquer mudança na forma como se realizam as ressonâncias fetais.
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