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Ressonância funcional mapeia a medula espinal de 22 voluntários

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Infografia gerada: 22 — Ressonância funcional mapeia a medula espinal de 22 voluntários
Ilustração gerada por IA

Nawal Kinany passou oito anos a tentar tornar nítido um borrão. O seu objeto de estudo não era a Lua, mas a medula espinal humana, e o sinal ténue e ruidoso que a ressonância magnética funcional, ou fMRI, capta dela. A imagem que ajudou a clarificar orienta hoje tratamentos para paralisias, e poderá em breve fazer o mesmo para o AVC e a doença de Parkinson.

A fMRI não vê os neurónios a disparar. Segue o afluxo de sangue rico em oxigénio que acompanha a sua atividade, com alguns segundos de atraso, com uma imagem a cada dois ou três segundos. No cérebro, isso basta para mostrar onde a atividade ocorre e como se desloca. Na medula espinal, uma estrutura com pouco mais de um centímetro de diâmetro, cada batimento cardíaco e cada respiração acrescentam ruído que pode abafar o sinal por completo. Dimitri Van De Ville, que dirige o Laboratório de Processamento de Imagem Médica da EPFL, construiu a sua carreira sobre a matemática que extrai a atividade desse ruído.

O projeto começou em 2016, quando Kinany dividia o seu doutoramento por dois laboratórios da EPFL no Campus Biotech, em Genebra. A sua equipa registava a atividade cerebral, os músculos e os movimentos de pessoas paralisadas após um AVC, e parecia faltar algo entre eles. «Percebemos que havia uma espécie de elo em falta em tudo isto, e esse elo era a medula espinal», afirma. Os colegas não estavam convencidos. «A medula espinal é um tubo», disseram-lhe.

O novo resultado provém de um preprint, publicado antes de revisão por pares, em que o doutorando Ekansh Sareen trabalhou com a equipa de Friedhelm Hummel. Usaram a estimulação magnética transcraniana, ou TMS, uma bobina colocada contra o couro cabeludo que envia um breve impulso magnético para o córtex motor, enquanto obtinham imagens da medula espinal de 22 voluntários. Impulsos fracos iluminaram apenas o lado sensorial da medula. Os mais fortes espalharam-se por uma zona intermédia até aos neurónios motores que fazem a mão contrair-se. Sareen compara a medula a uma linha ferroviária de informação, em que alguns desvios alteram o modo como o tráfego circula. Segundo a equipa, é a primeira vez que alguém observa em humanos o que um impulso dirigido ao cérebro provoca na medula.

Nada disto é, para já, uma terapia. Cada medula espinal está ligada de forma ligeiramente diferente, pelo que os nervos que servem um determinado músculo podem entrar na medula um segmento acima ou abaixo de pessoa para pessoa. Isso importa para os implantes: em 2022, o centro de Lausanne .NeuroRestore relatou que três pessoas com paralisia completa conseguiram voltar a pôr-se de pé e a andar com um estimulador colocado na medula espinal. A equipa está agora a levar o método de imagiologia para o CHUV, o hospital universitário de Lausanne, antes de um ensaio sobre AVC. Não é indicada uma data de início para esse ensaio.

Para os doentes com AVC, o ganho seria poder adaptar a reabilitação e os implantes à medula espinal de cada pessoa, e não a uma medula média. Para as pessoas com paralisia, seria um mapa mais fino dos circuitos medulares que podem ser estimulados. O calendário continua em aberto: o estudo é um preprint com 22 pessoas, e o ensaio sobre AVC não tem data anunciada.

22voluntários cuja medula espinal foi captada por imagem enquanto um impulso magnético era enviado ao cérebro

Fontes — ler os originais(hora de Paris)

Medical XpressEN
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