Nova PET deteta 97,9 % das lesões de cancro renal de células claras

Foi testada uma nova abordagem PET contra o exame padrão: no carcinoma renal de células claras, a forma mais comum de cancro do rim, detetou 97,9 % das lesões, contra 47,1 % com o exame FDG padrão.
O carcinoma de células renais é o cancro do rim mais comum, e as células claras são o seu subtipo mais frequente. O marcador PET habitual, ¹⁸F-FDG, mede o metabolismo da glicose. Nos rins, esse sinal é difícil de interpretar: o órgão capta naturalmente níveis elevados de glicose e elimina grandes quantidades de marcador pela urina, pelo que os tumores podem confundir-se com o tecido envolvente. Alguns tumores de baixo grau também absorvem pouca FDG, o que os torna mais difíceis de ver.
A equipa, liderada por Esra Arslan, escolheu um alvo diferente: a anidrase carbónica IX, ou CAIX, uma proteína muito expressa nos tumores de células claras e que apresenta «expressão mínima no tecido renal normal». Num estudo multicêntrico prospetivo com 68 doentes, o marcador dirigido à CAIX [⁶⁸Ga]Ga-DPI-4452 detetou 90,9 % das 492 lesões verdadeiras, contra 56,7 % da FDG. A exatidão diagnóstica ao nível do doente nos tumores de células claras atingiu 98,2 %, contra 77,2 %. A captação tumoral foi cerca de cinco vezes superior à da FDG, e a relação tumor-fundo cerca de dez vezes maior. «A CAIX dá-nos um alvo biológico altamente seletivo», afirmou Arslan.
A diferença foi mais marcada no cérebro, onde o novo marcador detetou todas as metástases cerebrais identificadas, com uma relação tumor-fundo máxima mediana de 281,3, contra 0,7 da FDG. Detetou também todas as metástases pulmonares identificadas, contra cerca de metade com a FDG, e 95,0 % das lesões ganglionares, contra 68,9 %. As metástases hepáticas foram a exceção em toda a coorte, onde a FDG teve melhor desempenho, o que reflete a expressão de CAIX mais baixa e mais variável em alguns subtipos não de células claras. Dentro do grupo de células claras, o novo marcador voltou a ficar à frente.
Para os doentes, o efeito prático é que o exame mudou o próprio plano terapêutico. O novo marcador alterou a abordagem clínica ou o estadio da doença em 30,9 % dos doentes, contra 5,9 % com a FDG, revelando recidivas e metástases que tinham passado despercebidas. Os investigadores vêem possíveis utilizações antes da cirurgia, na pesquisa de recidivas e, no futuro, como complemento de um tratamento à base de lutécio que poderia visar a mesma proteína. As fontes não indicam qualquer data para isso. A própria Arslan é cautelosa: é «prematuro afirmar que este agente representa um “novo padrão de imagiologia molecular”» enquanto estudos multicêntricos mais amplos, estratificados por subtipo, não confirmarem os resultados, e estudos mais longos terão de mostrar se um melhor estadiamento se traduz em melhores resultados para os doentes.
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