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Na ISS, bioimpressora constrói cartilagem em microgravidade

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Fotografia ilustrativa: Decellularization of the Bovine Pericardium
Fotografia ilustrativa: Hibiscus Rosa Sinensis · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons

A 9 de outubro de 2026, a astronauta da NASA Jessica Watkins estava no interior da Life Science Glovebox do módulo laboratorial Kibo, a bordo da Estação Espacial Internacional. Misturou amostras de células vivas com uma bio-tinta, o gel que transporta as células, e depois encheu um cartucho especial com a mistura. Uma bioimpressora usa esse cartucho para construir tecido camada a camada, à semelhança de uma impressora de secretária que deposita tinta.

A experiência chama-se InSPA-Auxilium Bioprinter-Cell Printing. Estuda a bioimpressão 3D de cartilagem em microgravidade, o tecido resistente e flexível que amortece as articulações. A necessidade é grande: a NASASpaceFlight refere que mais de 900 000 lesões da cartilagem do joelho ocorrem todos os anos só nos Estados Unidos, e que até 200 000 delas exigem cirurgia.

Na Terra, as células tendem a assentar enquanto a tinta permanece na impressora. Em órbita, essa sedimentação desaparece. A NASASpaceFlight afirma que isso permite imprimir tecido mais uniforme e de melhor qualidade do que na Terra, e a NASA descreve o objetivo nos mesmos termos: cartilagem de qualidade superior à produzida na Terra. Trata-se de expectativas, ainda não de resultados medidos para doentes.

A Auxilium Biotechnologies divulga novos resultados da sua bioimpressora orbital AMP-1. A empresa afirma que a impressora produziu tecidos renais, hepáticos e de cartilagem em órbita, e fabricou 28 implantes de reparação nervosa, que apresenta como uma primeira para tecido renal e hepático no espaço. São números da própria empresa, que, até ao momento, não foram reproduzidos por uma equipa independente nos materiais disponíveis.

Quem ganha, e quando? Os doentes com lesões na cartilagem seriam os primeiros beneficiários, se o método chegar à utilização clínica, e as tripulações em missões longas poderão um dia imprimir tecido a bordo. Nem a NASA nem a Auxilium indicam uma data para isso. Por agora, o trabalho é de investigação: células impressas em órbita, testadas e analisadas, sem qualquer tecido ainda aplicado num doente.

900 000lesões da cartilagem do joelho por ano nos Estados Unidos, segundo a NASASpaceFlight

Fontes — ler os originais(hora de Paris)

NASA — communiquésEN

Páginas consultadas durante a redação

Science on the Space Station with NASA Astronaut Jessica Watkins - NASA
Bioprinting, Space Manufacturing Top Research Schedule Aboard Station - NASA
Canadarm2 repairs planned as CRS-34 departs ISS - NASASpaceFlight.com
Auxilium Demos Tech To Enable Sustainable Bioprinting in Orbit
Auxilium Biotechnologies Achieves Historic Space Bioprinting Milestone, Successfully Bioprinting Kidney and Liver Tissues in Orbit for the First Time
NASA Scientific Visualization Studio
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