Pascal promete frigoríficos 20 % mais eficientes, ainda em laboratório

Quando chegaram os resultados das medições, Adam Slavney e Jinyoung Seo não tinham explicação. A sua equipa na Universidade de Harvard testava uma nova classe de materiais destinados a tornar mais eficientes os frigoríficos, os aparelhos de ar condicionado e as bombas de calor, e duas leituras que deveriam coincidir não coincidiam. «Porque são estas coisas diferentes? O que mudámos?», recorda Slavney ter perguntado. A resposta estava numa troca de gás feita durante as medições a alta pressão: o instrumento precisava de um gás, e a equipa mudou o que utilizava. Esse enigma, que levou um ou dois anos a ser comprovado, serve hoje de base à Pascal, a startup onde Slavney é diretor executivo e Seo diretor de tecnologia.
A procura de melhores refrigerantes é quase tão antiga como os próprios aparelhos. O Freon, um refrigerante anterior, fez um buraco na camada de ozono, e os mais recentes, como o R-134a, continuam a ser gases com efeito de estufa extremamente potentes. Slavney chama-lhe «um tapete rolante sem fim». Os refrigerantes em estado sólido oferecem uma saída desse tapete: como o material de trabalho permanece sólido, não pode escapar para a atmosfera, e liberta calor quando é comprimido e absorve-o quando a pressão é libertada.
A Pascal não comprime um bloco sólido. Alimenta um cartucho cheio de um material esponjoso, que a empresa mantém proprietário, com dióxido de carbono (CO2), um gás. À medida que o gás penetra nos poros, as suas moléculas ricocheteiam nas paredes, transferem energia para o material e aquecem-no, e um permutador de calor liberta parte desse calor. Em sentido inverso, o material retira energia do permutador e entrega-a ao gás. Um frigorífico Pascal funciona com dois cartuchos em simultâneo: um retira calor do interior do frigorífico, o outro envia-o para o ar exterior, e o sentido do fluxo inverte-se quando os cartuchos ficam demasiado quentes e demasiado frios.
A durabilidade é o dado que a equipa mais cita. O material foi sujeito a até 300 000 ciclos, o que Slavney equipara a cerca de um ano de funcionamento. A empresa afirma que o sistema completo transfere calor de forma mais eficaz do que outros modelos em estado sólido, pelo que não precisa das altas pressões que esses modelos podem exigir. O ganho de eficiência de 20 % é uma projeção da própria Pascal para um frigorífico ou bomba de calor que use o seu material, e a empresa ainda não apresentou um protótipo a funcionar.
O primeiro cliente concreto é uma multinacional de bebidas, que assinou um contrato-piloto mais cedo do que a Pascal esperava. Um primeiro protótipo está previsto para o início do próximo ano, e um lote de frigoríficos mais acabados para 2028. A aposta de Slavney assenta agora no custo: como o sistema usa componentes convencionais, acredita que pode ser fabricado a baixo preço, e é isso que lhe permitiria expandir-se para além dos projetos-piloto. Se os 20 % se confirmarão num produto que as pessoas possam comprar é o que essas datas irão testar.
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