Começa ensaio em humanos de terapia FLASH de protões
No Roberts Proton Therapy Center da Penn Medicine, em Filadélfia, um sinal indica que o feixe de protões está ativo. A sala acolhe agora um ensaio clínico de fase 1 de terapia de protões ConformalFLASH, uma forma precisa de radiação ultrarrápida que está a ser testada em doentes humanos pela primeira vez nos Estados Unidos. O estudo incluirá 10 doentes com cancro recorrente da cabeça e do pescoço que já receberam radioterapia e não podem ser submetidos a cirurgia.
A diferença prática mede-se em visitas. Um regime típico para estes doentes envolve radioterapia diária durante cinco a seis semanas, normalmente dividida em 25–35 frações, ou doses de tratamento separadas. O protocolo FLASH utilizará cinco tratamentos ao longo de cerca de 10 dias, com cada exposição a durar menos de um segundo; os doentes concluirão as cinco sessões em menos de duas semanas. A dose total efetiva mantém-se igual, mas é administrada em menos doses, de maior dimensão, a uma velocidade muito elevada.
Essa redução do calendário é importante para os doentes com cancro recorrente da cabeça e do pescoço, cujo tratamento por radiação pode afetar zonas que controlam comer, beber e engolir. A repetição da radioterapia pode provocar efeitos secundários potencialmente capazes de alterar a vida dos doentes, além de longas horas passadas em instalações médicas, segundo o investigador principal Alexander Lin. A equipa selecionou este grupo porque o tratamento poderia trazer benefícios para a qualidade de vida, reconhecendo, ao mesmo tempo, que a tecnologia continua a ser testada.
As ferramentas subjacentes estão estabelecidas de forma independente. A terapia de protões utiliza protões de alta energia — átomos com carga positiva — para danificar o ADN das células cancerígenas. O tratamento conformado utiliza imagens de TC ou RM para construir um mapa tridimensional do tumor e direcionar o feixe para os seus limites, limitando tanto quanto possível a exposição dos tecidos saudáveis próximos. O FLASH acrescenta velocidade, utilizando uma dose maior administrada em menos de um segundo. O estudo da Penn em humanos sucede a um ensaio concluído de protões FLASH em cães domésticos, que utilizou a mesma tecnologia para a cabeça e o pescoço. A FDA autorizou a plataforma para este estudo através de uma isenção para dispositivo experimental concedida à IBA, a fabricante e patrocinadora.
Concretamente, a mudança para este grupo restrito de doentes seria um tratamento mais curto: cinco visitas ao longo de cerca de 10 dias, em vez de tratamentos diários durante cinco a seis semanas. Isso poderia significar menos tempo passado em instalações médicas e, potencialmente, menos efeitos secundários nocivos. O ensaio foi concebido para avaliar a viabilidade e os benefícios e limitações da tecnologia, pelo que esses possíveis ganhos ainda terão de ser determinados em doentes humanos.
Comentários
A carregar a conversa…
Inicie sessão para escrever um comentário. Iniciar sessão