Dinamarca: uma década sem transmissão de sífilis mãe-filho
Na Dinamarca, os médicos de família disponibilizam rastreio gratuito da sífilis, geralmente durante a primeira consulta pré-natal. A Dinamarca está agora há 10 anos sem um único caso de transmissão de mãe para filho desde 2016, e a OMS reconheceu oficialmente a eliminação da sífilis congénita no país.
O contraste com a Europa é evidente. Os casos comunicados de sífilis congénita quase duplicaram, passando de 78 em 2023 para 140 em 2024, entre 14 países que comunicaram dados. Desde 2010, a Dinamarca disponibiliza rastreio universal e gratuito às grávidas como parte dos cuidados pré-natais. Entre 2010 e 2024, foram testadas 963 424 grávidas, o que corresponde a uma taxa de testagem de 99 %; a adesão ao tratamento entre as pessoas com resultado positivo foi próxima dos 100 %.
O mecanismo é direto: fazer o rastreio durante a gravidez, confirmar uma infeção e disponibilizar de imediato tratamento com antibióticos. Na Dinamarca, 1 720 grávidas tiveram inicialmente um resultado positivo, mas a infeção ativa só foi confirmada em 10 % (172) após testes adicionais. Esta combinação é importante porque a sífilis congénita não tratada pode causar nado-morto, parto prematuro, morte neonatal ou complicações graves a longo prazo.
O registo não está isento de exceções. Os investigadores contabilizaram cinco crianças com sífilis congénita entre quase 900 000 nados-vivos de 2010 a 2024. Quatro casos ocorreram apesar da abordagem de rastreio: duas mulheres chegaram à Dinamarca numa fase avançada da gravidez e duas foram infetadas no final da gravidez. Uma irregularidade na comunicação de dados atrasou o acompanhamento do quinto caso. Ao mesmo tempo, um modelo concluiu que a incidência global de sífilis na Dinamarca estava a aumentar a uma média anual de cerca de 6 %, enquanto a prevalência de infeção ativa confirmada durante a gravidez se manteve estável.
Em termos práticos, o resultado da Dinamarca proporciona às grávidas um rastreio gratuito integrado nos cuidados pré-natais habituais, ao mesmo tempo que mostra por que razão o acompanhamento precoce e o tratamento rápido são importantes. Mostra também por que motivo a cobertura, por si só, não é suficiente para as mulheres que chegam tarde ou são infetadas numa fase tardia da gravidez. A Dinamarca cumpriu antecipadamente os critérios de eliminação da Região Europeia: menos de 10 casos por 100 000 nados-vivos em 2025 e ≤1 caso em 2030. Os investigadores afirmam que será necessário manter a atenção aos grupos vulneráveis, uma elevada cobertura de rastreio e uma vigilância robusta para preservar o resultado.
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