Em 17 voluntários, LSD acelera ondas cerebrais, não só as enfraquece

Dezassete voluntários saudáveis participaram num estudo que só podia ser lido medindo o cérebro até ao milissegundo. Cada um deles passou por duas sessões, separadas por duas semanas. Numa, recebeu uma injeção intravenosa de 75 microgramas de LSD, uma dose que os investigadores comparam a cerca do peso de um grão de sal. Na outra, recebeu um placebo, uma solução salina. As gravações foram feitas com magnetoencefalografia (MEG), técnica que capta os minúsculos campos magnéticos produzidos pela atividade neuronal, no Imperial College London, pela equipa de Robin Carhart-Harris.
Durante anos, a leitura habitual dos efeitos psicadélicos sobre as ondas cerebrais era de enfraquecimento. As ondas alfa, que dominam quando descansamos de olhos fechados, e as ondas beta, ligadas à concentração e à tomada de decisões, surgiam menos intensas sob a droga. Isto era geralmente interpretado como «dessincronização», ou seja, os neurónios disparam menos em uníssono. Contudo, os métodos convencionais nem sempre distinguiam um verdadeiro enfraquecimento das ondas de uma alteração da sua frequência, o número de oscilações por segundo. A equipa combinou métodos de processamento de sinal de última geração com inteligência artificial para distinguir as duas coisas.
A resposta é que, sob LSD, as ondas não se limitam a desvanecer. Aceleram. As ondas alfa ganharam cerca de 2 hertz e as ondas beta cerca de 5 hertz, em amplas áreas do córtex. Jerbi compara o erro a um rádio sintonizado em 99,5 FM quando a estação já passou para 100,5: o sinal parece distorcido ou perdido. A subida da alfa também vai no sentido contrário de certos anestésicos, que abrandam esse ritmo, e aponta, na leitura dos autores, para um córtex mais excitável.
O sinal cerebral tornou-se também mais complexo. Os investigadores mediram a sua dimensão fractal, ou seja, a forma como um padrão se repete em cada escala, tal como cada floreto de um brócolo romanesco é um pequeno brócolo romanesco. Esta medida e a diversidade de padrões aumentaram sob LSD, de modo que o sinal se parecia mais com uma costa recortada do que com uma linha de praia reta. As alterações foram mais marcadas nas regiões ligadas à perceção sensorial, à linguagem, à emoção e à imagética mental, enquanto o córtex motor se manteve relativamente inalterado. A equipa treinou um algoritmo de IA para distinguir as sessões com LSD das sessões com placebo, para testar se estas alterações podiam funcionar como uma assinatura.
O que muda para a investigação é uma forma mais precisa de ler os estados psicadélicos. Se a velocidade dos ritmos cerebrais faz parte do efeito da droga, os estudos que apenas medem a intensidade das ondas podem ter deixado escapar parte dele, e os investigadores que desenham ensaios de psicadélicos para a depressão, a ansiedade ou o stress pós-traumático poderão acrescentar um segundo marcador a acompanhar. A ligação que os autores estabelecem com os padrões geométricos que muitos utilizadores dizem ver de olhos fechados continua a ser uma hipótese: Jerbi observa que «medimos a estrutura fractal dos sinais cerebrais ao longo do tempo, não a estrutura fractal das imagens que as pessoas percebem». O estudo abrange 17 pessoas e uma dose, e os autores ainda não demonstraram que a assinatura é específica do LSD.
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