IA concebe vírus funcionais que matam bactérias, em laboratório

A cobertura do estudo indica que os investigadores imprimiram 302 genomas escritos por IA sob a forma de cadeias de ADN e misturaram-nos com bactérias Escherichia coli. Alguns deles mataram os seus alvos. O trabalho, liderado por Samuel King, doutorando na Universidade de Stanford, em colaboração com o Arc Institute, foi agora publicado na revista Science.
A equipa não partiu do zero. Baseou-se no ΦX174, um bacteriófago natural, ou seja, um vírus que infeta bactérias, cujo genoma tem cerca de 5386 pares de bases (as letras do ADN) e codifica 11 genes. Os modelos de IA, chamados Evo, são modelos de linguagem genómica, treinados para ler a estrutura das sequências genéticas. O primeiro modelo Evo, publicado na Science, foi treinado com 2,7 milhões de genomas de procariontes e de fagos. Para o projeto dos fagos, ambos os modelos foram depois ajustados com cerca de 15 000 genomas da família Microviridae.
Gerar um genoma foi apenas o primeiro passo. A equipa executou várias rondas de filtragem computacional e experimental antes de imprimir fosse o que fosse. Um dos fagos concebidos, chamado Evo-Φ36, tinha uma proteína encurtada que não funcionava antes, quando introduzida no vírus natural. A cobertura do estudo refere 16 genomas funcionais concebidos de raiz. Uma pré-publicação tinha surgido no bioRxiv em setembro de 2025, antes da publicação na revista.
A questão da biossegurança decorre diretamente da técnica. Os investigadores Thomas Inglesby e Moritz Hanke, do Johns Hopkins Center for Health Security, defendem que as regras de segurança para este tipo de trabalho ainda não existem. Stanford e o Arc Institute apresentaram um pedido de patente provisório que cobre os métodos, e os inventores são nomeados nele.
Os laboratórios de biologia ganham uma ferramenta de conceção: em vez de editar um vírus existente, um modelo propõe sequências genómicas completas para serem construídas e testadas. A MIT Technology Review apresenta o trabalho como uma nova forma de olhar para a biologia, e a sua reportagem afirma que a vida gerada por IA «ainda não é» uma realidade, embora «poderá ser o próximo passo». Não há data para uso prático, nem preço, e nenhuma aplicação para além das bactérias foi anunciada até agora.
Fontes — ler os originais(hora de Paris)
Páginas consultadas durante a redação
Comentários
A carregar a conversa…
Inicie sessão para escrever um comentário. Iniciar sessão