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Infravermelho invisível dá imagens verdes nítidas, em laboratório

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Fotografia ilustrativa: Human eye detail, from- Human eye close up (cropped)
Fotografia ilustrativa: Qirille · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Olhe para um E verde e o olho vê-o nítido apenas enquanto o cristalino fizer o seu trabalho. Num estudo publicado na Optics Letters, investigadores do Centro Internacional de Investigação Translacional da Visão (ICTER), que funciona no Instituto de Química Física da Academia Polaca de Ciências, mostraram que um E verde desenhado com luz infravermelha invisível mantém muito melhor os seus contornos quando o olho não está perfeitamente focado nele.

Um olho saudável altera a forma do cristalino para se ajustar à distância do que observa, um processo designado por acomodação. Os visores montados na cabeça, como os óculos de RV e RA, podem quebrar essa ligação: um objeto virtual pode aparecer a uma distância, enquanto a ótica exige que o olho foque outra. O olho tem então de trabalhar contra o ecrã, e a imagem fica desfocada.

A equipa do ICTER trabalha na visão por dois fotões. Os impulsos de infravermelho próximo passam normalmente sem ser vistos, mas, quando dois fotões são absorvidos quase ao mesmo tempo, a sua energia combinada corresponde aproximadamente à de um único fotão com metade do comprimento de onda. A luz infravermelha de cerca de 1040 nm produz, por isso, uma sensação próxima do verde de 520 nm. O estímulo foi desenhado por um laser de varrimento que se deslocava pela retina com rapidez suficiente para formar uma letra com 12,5 minutos de arco de altura, atualizada 50 vezes por segundo. Os 12 participantes, oito homens e quatro mulheres com idades entre os 25 e os 47 anos, tinham todos boa visão, e o olho dominante foi testado isoladamente. Os investigadores igualaram o brilho percebido das duas letras para cada pessoa e, depois, acrescentaram desfocagem negativa em incrementos de 0,5 dioptrias, unidade de potência ótica, até surgir um desfoque ligeiro mas persistente.

No grupo não presbita, a letra infravermelha manteve a nitidez até 6,6 ± 0,7 dioptrias de desfocagem, contra 4,3 ± 0,7 dioptrias para a luz visível. Os limiares foram mais baixos nos participantes com presbiopia, a perda de foco de perto associada à idade, com 2,7 ± 0,4 contra 1,9 ± 0,3 dioptrias, mas a vantagem manteve-se. Nos dois grupos, a gama em que a imagem infravermelha permaneceu nítida foi mais de 1,4 vezes mais larga. O efeito observou-se nos 12 participantes, embora a sua dimensão tenha variado.

Para os utilizadores de óculos de RV e RA, a leitura prática é uma margem maior antes de a imagem parecer mole quando o olho e o ecrã não coincidem. Nada no estudo, porém, fixa uma data para um dispositivo deste tipo, e a equipa não indica qualquer calendário. As medições provêm de um pequeno grupo de adultos saudáveis, em laboratório, e descrevem a perceção, não um produto. O que o trabalho estabelece é que uma imagem construída com base na visão por dois fotões tolera erros de focagem que desfocariam a imagem convencional.

6,6 ± 0,7 dioptriasTolerância à desfocagem da imagem infravermelha, grupo não presbita, contra 4,3 ± 0,7 para a luz visível (laboratório, 12 participantes)

Fontes — ler os originais(hora de Paris)

Medical XpressEN
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