Prédio de Buffalo instala bateria interior de 3,75 MWh

Na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, as baterias deslocavam-se numa linha automatizada da fábrica da Viridi, em Buffalo, Nova Iorque. No edifício de apartamentos Peace Bridge Place, um sistema de baterias de iões de lítio de 3,75 megawatts-hora vai armazenar eletricidade quando esta for abundante e alimentar o edifício quando a rede estiver sob pressão e a energia for cara. O fabricante e o promotor, a Good Carbon Co., afirmam que se trata de um dos maiores sistemas de baterias num edifício residencial dos EUA, capaz de abastecer o complexo habitacional acessível durante vários dias.
As grandes baterias em casas são raras por duas razões: o custo e o fogo. O presidente executivo da Viridi, Jon M. Williams, resumiu sem rodeios a segunda: «O único fator que tem travado as instalações à escala é a segurança; muitos dos produtos que estiveram no mercado nos últimos 10 anos incendiaram tudo.» Os especialistas consideram que a implantação de grandes baterias capazes de alimentar com segurança edifícios de apartamentos é um passo importante para substituir os combustíveis fósseis pelas energias renováveis. A empresa gastou seis anos e 10 milhões de dólares a trabalhar num contentor à prova de fogo, e metade do custo foi para baterias que destruiu durante os testes.
O design assenta no isolamento. Placas, bolsas e espaçamentos mantêm cada célula da bateria separada, de modo que, quando uma célula falha, a sua energia se dissipa em vez de se propagar à seguinte e, segundo Williams, nenhum gás, fumo, calor ou fogo sai do contentor. A prova mais exigente foi uma falha forçada, realizada com uma gaze estendida sobre o contentor: a gaze não carbonizou nem se inflamou, segundo o relatório do ensaio. A Viridi anunciou em abril que tinha cumprido as normas de segurança da Underwriters Laboratories, o que permitiria a instalação no interior do edifício sem sistema adicional de supressão de incêndios. Jigar Shah, que dirigiu o Gabinete de Programas de Empréstimo do Departamento de Energia durante a administração Biden, considera o teste «quase impossível» e afirma que a Viridi é a única empresa que o passou de forma consistente.
Para os residentes do Peace Bridge Place, o ganho é concreto: o edifício vai recorrer menos à rede quando a eletricidade estiver cara, e a distribuidora paga-lhe por não recorrer à rede e por injetar energia quando necessário, o que reduz os custos globais de eletricidade do complexo. O sistema pode também manter o edifício em funcionamento durante os cortes de fornecimento. Para além deste edifício, estão em jogo questões mais vastas. O presidente da Comissão de Energia da Califórnia, David Hochschild, afirma que as baterias ajudam a manter a rede fiável, a reduzir a poluição e a conter os custos à medida que a procura aumenta. Shah prevê que muitas mais casas nos EUA usem baterias como energia de reserva até 2030, e afirma que o país poderia satisfazer uma procura muito maior e evitar obras dispendiosas na rede se as baterias forem colocadas de forma estratégica. Trata-se de previsões de pessoas que trabalham no setor, e não de resultados medidos.
Os limites são claros. Trata-se de uma instalação num único edifício, e o projeto foi concebido para mostrar que as grandes baterias podem funcionar em segurança onde as pessoas vivem, um ponto que será avaliado com o tempo, no funcionamento diário. As fontes não indicam o preço do sistema nem qualquer valor para a poupança dos residentes. Os resultados sobre segurança contra incêndios provêm dos próprios testes e da certificação da Viridi, tendo como base o relatório do ensaio e as normas UL, e a questão de saber como o sistema se comporta em muitas instalações continua em aberto.
Comentários
A carregar a conversa…
Inicie sessão para escrever um comentário. Iniciar sessão