Reforçar as defesas celulares trava o VSR em testes de laboratório

As células humanas já possuem uma defesa contra os vírus, mas durante uma infeção esta é ativada apenas de forma fraca. Na Universidade Estadual de Washington, uma equipa liderada por Santanu Bose, professor na Faculdade de Medicina Veterinária, descobriu como reforçar essa defesa. No estudo, publicado na revista Cell Communication and Signaling, os investigadores mostraram que acrescentar mais do sinal tornou as células significativamente mais resistentes à infeção pelo vírus sincicial respiratório (VSR).
A chave é uma proteína chamada ISG15. As células produzem-na no seu interior quando estão infetadas, e já se tinha observado também fora delas, onde a sua função não era clara. A equipa de Bose descobriu que esta ISG15 externa atua como um reforço: ativa uma via antiviral até então não descrita, preparando as células vizinhas para resistir antes que o vírus se possa propagar. A via é ativada durante a infeção, mas apenas a níveis baixos. Quando a equipa acrescentou uma versão laboratorial da proteína, as células ficaram muito mais protegidas. Os estudantes de doutoramento Lindsay Grace Miller e Sudiksha Pandit, juntamente com a investigadora pós-doutoral Fulbright Kim Lam Chiok, lideraram grande parte do trabalho no laboratório de Bose.
O que distingue a abordagem é o seu alvo. A maioria dos antivirais ataca diretamente o vírus. Este reforça as defesas da própria célula e, segundo Bose, poderá ser menos vulnerável às mutações que permitem aos vírus escapar aos tratamentos. Nas suas palavras, «Estamos a ajudar as células a ativar a sua própria maquinaria de proteção». A equipa refere também resultados ainda não publicados do seu laboratório, que mostram o mesmo efeito antiviral contra os vírus influenza A e parainfluenza.
A via poderá ir além da infeção. Os processos celulares que influencia podem ter importância no cancro e em perturbações neurológicas, e os investigadores estão agora a verificar se o mesmo reforço funciona em contextos não infeciosos. São questões em aberto, não resultados.
Por agora, o ganho pertence à investigação, não aos doentes. As pessoas mais expostas ao VSR, como os lactentes, os idosos e as pessoas com o sistema imunitário debilitado que o estudo menciona, são aquelas para quem este trabalho mais importa. Mas o estudo não aponta uma data para um tratamento e não relata qualquer ensaio em animais ou em pessoas. O método ainda está em desenvolvimento, e a WSU tem uma opção ativa para o licenciar a uma empresa de biotecnologia, para explorar um desenvolvimento posterior. A próxima prova é saber se o efeito se mantém para além das células cultivadas em laboratório.
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