Astrócitos cerebrais têm tipos especializados, diz estudo em ratinhos

Durante muito tempo, os astrócitos foram tratados como uma massa indiferenciada. Estas células em forma de estrela são as mais abundantes do cérebro e da medula espinal, e os cientistas perguntavam-se se existiriam em tipos especializados, com funções diferentes, como acontece com os neurónios. Um estudo publicado na Nature por investigadores do Baylor College of Medicine responde agora que sim: subtipos distintos de astrócitos desempenham tarefas distintas no cérebro vivo.
A equipa concentrou-se na CD51, uma proteína que se encontra à superfície de alguns astrócitos, mas não de outros. Trabalhos anteriores tinham mostrado que a CD51 divide os astrócitos em grupos com características moleculares diferentes. Mas não existiam modelos animais nem ferramentas de laboratório para comparar os dois grupos num cérebro em funcionamento. Os investigadores criaram primeiro uma nova linhagem de ratinhos que lhes permite marcar e controlar separadamente os astrócitos CD51-positivos e CD51-negativos e, depois, compará-los no córtex cerebral, a camada exterior que trata do pensamento, da perceção e do movimento voluntário, e no hipocampo, essencial à formação de memórias. Estudaram cérebros em desenvolvimento, adultos e lesionados.
No córtex em desenvolvimento e lesionado, os astrócitos CD51-positivos ajudam a formar sinapses, as junções onde os neurónios trocam mensagens entre si, e fazem-no recorrendo a uma proteína chamada glipicano 6. Os astrócitos CD51-negativos não o fazem. No hipocampo, os astrócitos CD51-positivos ajudam os circuitos da memória a funcionar e a adaptar-se, ao passo que os CD51-negativos não, e a própria proteína CD51 impulsiona a reconfiguração destes circuitos.
As conclusões são também importantes após lesões cerebrais. Em ratinhos que tiveram um AVC, os astrócitos CD51-positivos ajudaram o cérebro a recuperar funções, remodelando as ligações entre neurónios, ao passo que os CD51-negativos não. Os investigadores que estudam os astrócitos, em saúde e na doença, terão agora de especificar qual o subtipo que estudam, afirma a equipa. Para os doentes, por enquanto, nada muda: o estudo foi feito em ratinhos, e a equipa não avança qualquer prazo para o aplicar às pessoas.
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