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Células de suporte cerebral ligadas a menor raciocínio na epilepsia

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Infografia gerada: 29 — Células de suporte cerebral ligadas a menor raciocínio na epilepsia
Ilustração gerada por IA

Ao microscópio, as células parecem pequenas estrelas. São astrócitos imaturos, células de suporte do cérebro, e foram retiradas de pessoas que iam ser operadas por causa de epilepsia grave. O seu número, constataram os investigadores, aumenta com a idade e está ligado a uma perda do que os cientistas chamam inteligência fluida: a capacidade de resolver problemas que nunca se encontraram antes.

Durante muito tempo, os astrócitos foram vistos como o pessoal de apoio do cérebro, as células que ajudam os neurónios a comunicar e mantêm o meio saudável. Estudá-los em relação ao pensamento era difícil. Exames cerebrais como a eletroencefalografia e a ressonância magnética não conseguem distinguir células individuais, e tecido de doentes vivos raramente está disponível. A maior parte dos trabalhos anteriores baseou-se em animais ou em medidas indiretas da atividade genética. Desta vez, a equipa da USC (Universidade do Sul da Califórnia) teve uma oportunidade rara: tecido de 29 doentes com epilepsia do lobo temporal mesial, retirado do hipocampo, a região envolvida na aprendizagem e na memória.

Antes da cirurgia, cada doente realizou testes de raciocínio, memória, atenção, linguagem e coordenação motora fina. Depois da cirurgia, os investigadores contaram os astrócitos imaturos em áreas selecionadas do hipocampo e compararam essas contagens com os resultados dos testes. Os doentes mais velhos tendiam a ter mais astrócitos imaturos anormais, e números mais elevados destas células estavam associados a um pior desempenho nos testes de inteligência fluida. A inteligência fluida diminui com a idade e fica também prejudicada na doença de Parkinson, na demência frontotemporal e na esclerose múltipla, o que torna a ligação digna de atenção para lá da epilepsia. A primeira autora do estudo, Aswathy Ammothumkandy, resumiu-o com clareza: os astrócitos poderiam ser um alvo comum tanto para o declínio cognitivo acelerado em pessoas com epilepsia como para o controlo das convulsões.

Os limites são claros. O estudo mostra uma associação em 29 pessoas, e a equipa afirma que são necessárias mais investigações para determinar se os astrócitos imaturos anormais contribuem diretamente para o declínio. Ammothumkandy procura agora diferenças moleculares nestas células, comparando amostras de pessoas com epilepsia com amostras de controlo, para encontrar formas de as restabelecer num estado mais saudável. Trabalhos futuros poderão também testar a neuromodulação, que recorre a estimulação elétrica ou magnética para alterar a atividade do sistema nervoso, como forma de reforçar o funcionamento saudável dos astrócitos.

Para os doentes, para já, nada muda: nenhum tratamento foi desenvolvido ou testado com base neste trabalho, e as fontes não avançam qualquer calendário. O que muda é o mapa para os responsáveis pelo desenvolvimento de medicamentos. Os investigadores observam que os astrócitos não são hoje um foco importante do desenvolvimento de fármacos, e este estudo poderá alterar essa situação. Se do trabalho molecular surgir um alvo terapêutico, ele poderá ser testado primeiro em pessoas com epilepsia e, sugerem os investigadores, a sua relevância poderá depois estender-se bem para além desse grupo, a qualquer pessoa preocupada com um pensamento mais lento à medida que envelhece.

29doentes cujo tecido do hipocampo foi analisado ao microscópio

Fontes — ler os originais(hora de Paris)

Medical XpressEN
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