Dieta rica em gordura reduz PQBP1 e afeta a cognição em ratinhos

No córtex cerebral de ratinhos alimentados com uma dieta rica em gordura, a equipa liderada por Hitoshi Okazawa encontrou menos de uma única proteína: PQBP1. O córtex cerebral é a região do cérebro que sustenta as funções cognitivas, e a queda desta proteína foi suficiente para perturbar a forma como os neurónios comunicam.
Sabe-se que as dietas ricas em calorias contribuem para a obesidade e para perturbações metabólicas, como a diabetes. Há cada vez mais indícios de que afetam também o cérebro, e estudos associaram-nas a um fraco desempenho cognitivo e a um maior risco de doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer. Investigações anteriores tinham apontado para a inflamação e a resistência à insulina, mas as alterações no interior dos neurónios por detrás destes danos continuavam mal compreendidas. A PQBP1 ajuda a explicar parte dessa lacuna: regula o splicing alternativo do ARN, um processo através do qual um gene pode originar diferentes transcritos de ARN e, potencialmente, diferentes versões de proteínas.
Para perceber o que a menor quantidade de PQBP1 provocava nos neurónios, os investigadores recorreram à sequenciação de ARN para comparar ratinhos alimentados com uma dieta rica em gordura durante uma ou seis semanas com ratinhos sem PQBP1 nos neurónios. Ambos os grupos apresentaram alterações de splicing comuns em genes específicos envolvidos na função sináptica. Experiências adicionais mostraram que este splicing anormal levava a anomalias na estrutura e na função das sinapses, a par de défices cognitivos. O estudo liga a queda da PQBP1 à supressão da transcrição do gene da PQBP1 mediada pelo PPARγ e aponta a sinalização ligada à insulina como um possível mecanismo a montante.
A equipa testou depois se os danos podiam ser revertidos. A pioglitazona, um fármaco para a diabetes que ativa o PPARγ, restabeleceu os níveis de PQBP1 nos ratinhos alimentados com gordura, corrigiu o splicing anormal de genes-chave das sinapses e melhorou os resultados sinápticos e cognitivos. A terapia génica para repor a PQBP1 também recuperou os défices sinápticos e cognitivos, e a reposição de alguns genes a jusante teve igualmente efeitos benéficos. Tudo o que aqui se relata provém de ratinhos, e o estudo foi publicado na Molecular Psychiatry a 12 de setembro de 2026.
Para as pessoas, o estudo ainda não muda nada na prática clínica. O que oferece é um alvo concreto: o splicing dependente da PQBP1, que os autores descrevem como uma potencial via para intervenções em condições que envolvem disfunção cognitiva. A equipa de Okazawa afirma que são necessárias mais investigações para traduzir estas conclusões em estratégias terapêuticas, e não indica qualquer calendário nem relata qualquer ensaio clínico em humanos. A pioglitazona já é usada na diabetes, mas estas experiências testaram-na apenas em ratinhos alimentados com uma dieta rica em gordura.
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