Digit 5 da Agility: 90 minutos de autonomia com 9 minutos de carga

Um robô humanoide que passa um terço do dia num posto de carregamento não produz nada durante essas horas. É esta a aritmética por detrás do mais recente equipamento da Agility Robotics: o modelo anterior, o Digit 4, funcionava com uma proporção de 2:1, duas horas de trabalho por cada hora de carregamento, o que o site de tecnologia alemão heise online calcula como cerca de um terço do dia perdido no posto de carregamento. A Agility afirma agora que o Digit 5 vai inverter este cenário, com uma bateria que oferece 90 minutos de autonomia e carrega em nove minutos.
O problema é antigo na robótica humanoide. A energia destes robôs provém de baterias, que não duram muito e têm de ser recarregadas ou trocadas repetidamente. A Agility, fundada em 2015 em Salem, no Oregon, diz que o Digit já acumulou mais de 65 000 operações reais em contexto comercial, pelo que a limitação não é teórica para os seus clientes. O heise refere que existe uma alternativa: a chinesa UBTech troca automaticamente a bateria do seu robô Walker S2, um método que deverá ser mais rápido do que recarregar. A Agility não optou por essa via.
A solução vem da Nyobolt, uma empresa de Cambridge, Reino Unido, fundada em 2019. A empresa combina materiais proprietários para o ânodo, um novo design de células e eletrónica de potência integrada para obter carregamento rápido, elevada densidade de potência, menor peso e longos ciclos de vida. A Nyobolt levantou 60 milhões de dólares em maio de 2026, com uma avaliação de 1 mil milhões de dólares, com apoio da Symbotic. O seu diretor executivo, Sai Shivareddy, afirma que a bateria foi escolhida porque o Digit 5 precisa de mais potência a partir de um conjunto mais pequeno e leve, em ambientes onde a fiabilidade não é opcional.
O que muda, na prática? Para um operador de armazém ou de fábrica, a Agility afirma que o Digit 5 vai garantir mais de 20 horas de trabalho produtivo num dia de 24 horas, o que equivale a mais de dois turnos completos. O seu diretor de negócio, Daniel Diez, apresenta o tempo de funcionamento como o núcleo da proposta de valor. Se isto se confirmar, o mesmo robô substituiria muito mais horas de mão de obra do que o seu antecessor, e a economia de uma frota mudaria com ele. Mas são afirmações da empresa: nem a Agility nem a Nyobolt publicaram a capacidade da bateria ou o número de ciclos de carga, e nenhum teste independente mediu ainda estes valores num local real.
O calendário ainda é longo. A Agility espera que o acesso antecipado ao Digit 5, com a bateria da Nyobolt, comece no primeiro semestre de 2027, com a disponibilidade a crescer nos seis a nove meses seguintes. Até lá, o dia de 20 horas continua a ser um objetivo escrito num comunicado de imprensa, e não um turno num armazém.
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