Em laboratório, testes de PFAS na água caem de seis horas para 30 minutos

Maria Guerra de Navarro, investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ambiente da FIU, aparece na fotografia a recolher amostras de água. A sua equipa da Universidade Internacional da Flórida criou agora um método laboratorial que devolve resultados de PFAS em 30 minutos, quando a análise demorava mais de seis horas. Os PFAS são uma família de substâncias chamadas químicos eternos: são quase indestrutíveis, encontram-se praticamente em toda a parte nos Estados Unidos e estão associados à disrupção endócrina, a deficiências do sistema imunitário e ao cancro.
No sul da Florida, o problema é local. A água potável provém do Biscayne Aquifer, um aquífero pouco profundo exposto ao escoamento superficial proveniente de aterros, aeroportos e bases aéreas militares, bem como à água da chuva. Nem as estações de tratamento de águas residuais nem as instalações de água potável tratam atualmente os PFAS, pelo que a contaminação percorre todo o ciclo da água. As empresas de abastecimento investem em carvão ativado, osmose inversa e membranas de nanofiltração, mas estes sistemas concentram as substâncias num fluxo de resíduos em vez de as destruírem. No condado de Miami-Dade, os poços de água subterrânea são monitorizados para detetar PFAS de quatro em quatro meses.
O novo método automatiza a preparação das amostras através de extração em fase sólida online, combinada com ferramentas de análise de alta precisão capazes de medir vestígios minúsculos das substâncias. Como utiliza amostras mais pequenas e menos solvente, reduz o risco de erros humanos de manuseamento. Deteta 39 dos 40 PFAS listados pela EPA. A equipa deixou deliberadamente um composto de fora, porque o seu rastreio faria subir os limites de deteção do PFOS e dos PFAS, as substâncias mais regulamentadas. Natalia Quinete, professora associada da FIU, classificou este compromisso como um compromisso inaceitável. A equipa demonstrou também que o método consegue analisar, em simultâneo, moléculas de PFAS pequenas e grandes, e trabalha agora nas mais pequenas, que são frequentemente encontradas na água potável, por resultarem da decomposição de moléculas maiores.
Para uma empresa de abastecimento de água, a mudança significaria um tempo de espera mais curto entre a colheita da amostra e o resultado, mas o método ainda não pode ser usado nesse papel. Tem primeiro de ser certificado através de extensos estudos de validação em vários laboratórios independentes, e as fontes não indicam qualquer data para isso. Guerra de Navarro afirmou que a EPA deveria considerar a integração deste tipo de tecnologia num método normalizado, tendo em conta a procura nacional de monitorização de PFAS ao abrigo das novas regras para a água potável. A equipa já caracterizou os PFAS na água da torneira em várias zonas do condado de Miami-Dade e analisa agora amostras de soro humano. Está em desenvolvimento um teste mais simples para o total de PFAS, que poderá processar 20 amostras por dia com equipamento menos dispendioso, tendo como objetivo a longo prazo a avaliação em tempo real no terreno.
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