Quarta-feira, 2 de setembro de 2026

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Medicamento de Parkinson estabiliza respiração de ratinhos com Rett

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Numa experiência da University of Connecticut, ratinhos sem uma cópia do MECP2 entraram no mesmo ritmo inquietante observado na síndrome de Rett: apneia, arfadas, hiperventilação e depois novamente apneia. Um medicamento para a doença de Parkinson, o pramipexol, ajudou a aproximar a sua respiração do normal.

A síndrome de Rett é causada por uma mutação ou deleção do gene MECP2, no cromossoma X, e é mais comum em raparigas. O organismo regula cada respiração através de dois sensores: um no tronco cerebral, que deteta dióxido de carbono, e outro junto à artéria carótida, que deteta oxigénio. Monica Strain, neurofisiologista no Boston Children’s Hospital da Harvard, testou ambos os sistemas em ratinhos. O oxigénio puro estabilizou a respiração dos animais deficientes em MECP2, enquanto o aumento do dióxido de carbono quase não a alterou.

Esse resultado desviou a atenção para o pescoço. Strain trabalhou com Sevolod Polotsky, da George Washington University, para administrar um gel contendo um vírus em torno do corpo carotídeo, bloqueando o MECP2 nas células que detetam oxigénio sem afetar os sensores de dióxido de carbono do cérebro. O alvo tem apenas o tamanho de dois grãos de areia nos ratinhos e situa-se no ponto onde a artéria carótida se divide. Os ratinhos normais que receberam o tratamento começaram a respirar como ratinhos com síndrome de Rett.

A pista seguinte surgiu da atividade genética nos corpos carotídeos. Os genes envolvidos na expressão da dopamina estavam menos ativos nos ratinhos com síndrome de Rett. «A dopamina é inibidora no corpo carotídeo», afirmou Dan Mulkey, deixando o sistema «a funcionar sem travões». Strain e Eliandra da Silva descobriram então que reforçar a sinalização da dopamina com pramipexol ajudava a normalizar a respiração dos animais.

Concretamente, o trabalho oferece aos investigadores uma possível nova via para tratar um dos sintomas mais visíveis e assustadores da síndrome de Rett, utilizando um medicamento que já existe para outra doença. Ainda não oferece às famílias um tratamento comprovado: o resultado provém de um modelo em ratinhos, e os investigadores descrevem o pramipexol como um candidato a investigar, e não como uma terapia estabelecida para a síndrome de Rett.

dois grãos de areiaTamanho aproximado de um corpo carotídeo de ratinho

Fontes — ler os originais(hora de Paris)

Medical XpressEN
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