Medicamento de Parkinson estabiliza respiração de ratinhos com Rett
Numa experiência da University of Connecticut, ratinhos sem uma cópia do MECP2 entraram no mesmo ritmo inquietante observado na síndrome de Rett: apneia, arfadas, hiperventilação e depois novamente apneia. Um medicamento para a doença de Parkinson, o pramipexol, ajudou a aproximar a sua respiração do normal.
A síndrome de Rett é causada por uma mutação ou deleção do gene MECP2, no cromossoma X, e é mais comum em raparigas. O organismo regula cada respiração através de dois sensores: um no tronco cerebral, que deteta dióxido de carbono, e outro junto à artéria carótida, que deteta oxigénio. Monica Strain, neurofisiologista no Boston Children’s Hospital da Harvard, testou ambos os sistemas em ratinhos. O oxigénio puro estabilizou a respiração dos animais deficientes em MECP2, enquanto o aumento do dióxido de carbono quase não a alterou.
Esse resultado desviou a atenção para o pescoço. Strain trabalhou com Sevolod Polotsky, da George Washington University, para administrar um gel contendo um vírus em torno do corpo carotídeo, bloqueando o MECP2 nas células que detetam oxigénio sem afetar os sensores de dióxido de carbono do cérebro. O alvo tem apenas o tamanho de dois grãos de areia nos ratinhos e situa-se no ponto onde a artéria carótida se divide. Os ratinhos normais que receberam o tratamento começaram a respirar como ratinhos com síndrome de Rett.
A pista seguinte surgiu da atividade genética nos corpos carotídeos. Os genes envolvidos na expressão da dopamina estavam menos ativos nos ratinhos com síndrome de Rett. «A dopamina é inibidora no corpo carotídeo», afirmou Dan Mulkey, deixando o sistema «a funcionar sem travões». Strain e Eliandra da Silva descobriram então que reforçar a sinalização da dopamina com pramipexol ajudava a normalizar a respiração dos animais.
Concretamente, o trabalho oferece aos investigadores uma possível nova via para tratar um dos sintomas mais visíveis e assustadores da síndrome de Rett, utilizando um medicamento que já existe para outra doença. Ainda não oferece às famílias um tratamento comprovado: o resultado provém de um modelo em ratinhos, e os investigadores descrevem o pramipexol como um candidato a investigar, e não como uma terapia estabelecida para a síndrome de Rett.
Comentários
A carregar a conversa…
Inicie sessão para escrever um comentário. Iniciar sessão