Mina do Arizona aposta em micróbios para extrair mais cobre

O cobre raramente está deitado no solo à espera de ser apanhado. Está encerrado numa rocha que contém também ferro e enxofre, e extraí-lo exige uma sequência de etapas químicas. Na mina de Carlota, no Arizona, propriedade da KGHM Polska Miedz, essas etapas são aplicadas a pilhas de rocha maiores do que dez estádios desportivos. A mina funciona há muito tempo, o que significa que resta menos cobre no minério, e o custo de extrair o que sobra continua a subir.
O método convencional já recorre ao ácido sulfúrico, que é espalhado sobre o minério para dissolver o metal. A nova etapa é biológica. Segundo a Bloomberg, a startup Endolith fornece micróbios que se alimentam de ácido, misturados nesse ácido e distribuídos por um sistema de aspersão que goteja sobre o minério. Os micróbios digerem os compostos de ferro e enxofre que rodeiam o cobre, o que desencadeia reações bioquímicas que o libertam. Este é o processo designado por biolixiviação.
A pressão por trás da experiência é a procura. O cobre é essencial para as energias renováveis e para os transportes elétricos, e um relatório publicado em janeiro pela empresa de investigação S&P Global projeta um défice mundial de 10 milhões de toneladas métricas até 2040, ou seja, menos 25 % do que a procura projetada. Carlota produz hoje apenas cerca de um terço do cobre que produzia outrora. O seu diretor, Brock Johnston, disse à Bloomberg que qualquer melhoria é bem-vinda, e a Endolith mantém os seus métodos e resultados em segredo. Sem um rendimento melhor, a mina poderá ter de fechar até ao final desta década.
A mina não está sozinha na procura de ganhos. A Jetti Resources, outra startup do Colorado, desenvolve catalisadores químicos para decompor minérios sulfurados. A Emerson Electric, sediada no Missouri, acrescenta sensores inteligentes e automatização aos sistemas convencionais de lixiviação. A Nuton, subsidiária da Rio Tinto, está a desenvolver uma solução microbiana própria. Buz Barstow, professor associado da Universidade Cornell, considera que a biolixiviação de nova geração poderá ser uma solução parcial, mas que ainda tem um longo caminho a percorrer até se tornar viável comercialmente.
Para a mina de Carlota, o ganho seria concreto: mais metal a partir da mesma rocha e menos produtos químicos por tonelada, se se confirmarem as esperanças expressas pelo seu diretor. Para o mercado mundial do cobre, a questão é saber se métodos deste tipo conseguem aumentar a oferta com rapidez suficiente para reduzir um défice que, de outro modo, poderia surgir até 2040. A resposta virá dos rendimentos publicados em Carlota e de saber se as experiências dos concorrentes passam do laboratório para minas em funcionamento antes do fim da década.
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