Reaction Dynamics revela foguetão Borealis e mira órbita em 2031

Seis mil quilogramas. É a carga útil que a Reaction Dynamics promete agora para o seu próximo foguetão, o Borealis, um lançador de médio porte que a startup sediada no Quebeque apresentou, com o objetivo de tentar um primeiro lançamento orbital em 2031. O número contrasta com o do seu veículo mais pequeno, o Aurora, que transporta ~200 kg até à órbita terrestre baixa (LEO) e tem como alvo uma primeira tentativa orbital no 4.º trimestre de 2028. Segundo a empresa, os dois veículos assentam em grande parte na mesma tecnologia de base.
Durante quase dez anos, a Reaction Dynamics desenvolveu um motor de foguetão híbrido, que combina combustível sólido com um oxidante líquido, como parte de um plano para criar uma capacidade de lançamento armazenável e implantável. No ano passado, a empresa mudou de rumo e avançou para uma alternativa totalmente alimentada a líquido. «Toda a decisão de passar o Aurora para líquido serve para poder otimizar o Borealis», disse Mikelberg à publicação especializada Payload. O objetivo, explicou, é evitar a gestão de dois programas de veículos e dois programas de propulsão separados, um sólido e outro líquido.
A mudança surge num momento em que cresce o interesse do Canadá por uma capacidade de lançamento soberana mais pesada e em que a SpaceX sinalizou a intenção de encerrar o programa de transporte partilhado Transporter, o serviço que leva os pequenos satélites de muitos clientes num único foguetão. A Reaction Dynamics quer uma parte dessa procura e espera oferecer uma opção nacional com uma capacidade de carga comparável à de veículos dos Estados Unidos. Desde que transferiu todo o seu portefólio de veículos para o líquido, a empresa indica 21 ensaios de ignição do motor a líquido. A campanha do Aurora destina-se a validar equipamento planeado para o Borealis: aviónica, depósitos e, eventualmente, um motor de maior capacidade.
Os ensaios de motores não são um lançamento, e o financiamento ainda está a ser reunido. A empresa afirma ter angariado cerca de 50 milhões de dólares canadianos e está a captar mais de 70 milhões de dólares canadianos numa ronda Série B, para financiar o primeiro lançamento do Aurora e uma fábrica capaz de produzir oito foguetões Aurora por ano. Mikelberg estima que o Borealis exigiria 200 milhões de dólares canadianos ou mais para além do Aurora. O plano prevê ainda que o número de funcionários passe de 68 para mais de 350 até 2031, e a construção de uma nova instalação de fabrico e integração no Quebeque, com 375 000 sq. ft (34 800 m²), dimensionada para 24 lançamentos do Borealis por ano.
O que muda, e para quem? Para as empresas e os organismos públicos canadianos que precisam de colocar satélites em órbita sem depender de foguetões estrangeiros, a Reaction Dynamics apresenta uma possível opção nacional, ainda que não voe por enquanto. O marco mais próximo é a primeira tentativa orbital do Aurora, prevista para o final de 2028; o Borealis, com a sua capacidade de 6 000 kg, é um objetivo de 2031 que depende de mais de 200 milhões de dólares canadianos de financiamento para além do Aurora. Enquanto um foguetão não atingir a órbita, estes números continuam a ser os planos da própria empresa, e o caminho entre a apresentação e o voo é que vai determinar se o lançamento soberano que o Canadá procura se torna realidade.
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