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Rover FLIP vai executar o primeiro modelo de linguagem de IA na Lua

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Fotografia: Rover FLIP de Venturi Astrolab au Salon du Bourget 2025
Fotografia: Artvill · CC BY 4.0 · Wikimedia Commons

Peça a um rover na Lua que reaja ao que vê, e a resposta chega tarde. O diretor científico da HPE, Mark Fernandez, colocou o problema sem rodeios numa conferência de imprensa: mesmo na Lua, os dados que chegam aos operadores estão «desatualizados», e os soviéticos, disse, perderam dois rovers por erros de operação causados pelo atraso. O rover FLIP, construído pela Astrolab e previsto para seguir para a Lua já em novembro de 2026, foi concebido para testar uma solução. Transporta 20 cargas científicas, incluindo um cartógrafo 3D por lidar, e um computador da HPE de alto desempenho que será o primeiro a executar grandes modelos de linguagem (LLM), o software de IA que processa e resume texto, na superfície lunar.

A abordagem assenta em missões anteriores. A Chang'e-6, da China, aterrou no lado oculto da Lua em 2024 e usou algoritmos de IA básicos e redes neuronais para a navegação autónoma. Os rovers marcianos da NASA Curiosity e Perseverance deslocam-se de forma semiautónoma, por trajetos pré-programados, há anos, mas os seus computadores de bordo são comparáveis a portáteis do final da década de 1990. O Spaceborne-4 é diferente: combina um processador de 64 bits com uma GPU, um chip capaz de executar muitas tarefas de cálculo em paralelo, como fazem os computadores de periferia mais avançados na Terra.

A HPE não esperou anos pela construção de hardware resistente ao espaço. Enviou três computadores Spaceborne para a Estação Espacial Internacional (ISS) para testar a ideia em condições mais suaves. Os Spaceborne-2 e Spaceborne-3, lançados em 2021 e 2024, executaram o modelo Llama 3.2, da Meta, em 2025, no âmbito da iniciativa «Space Llama», ajudando os astronautas a simplificar tarefas de investigação. Em vez de reforçar os chips, a HPE apostou num software que monitoriza o sistema e deteta erros causados por partículas cósmicas carregadas. Quando a radiação dispara, o software reduz a potência e a velocidade do computador para proteger a eletrónica. Ambos os computadores completaram utilizações superiores a dois anos na estação, contrariando as expectativas iniciais.

A Lua é um lugar mais difícil. A bordo da ISS, as temperaturas rondam os 20 °C; no polo sul lunar, onde o FLIP vai procurar gelo de água, oscilam entre 80 °C em zonas expostas ao Sol e -200 °C em zonas de sombra. A radiação cósmica ali é quase três vezes mais intensa do que no interior da estação, que beneficia ainda do campo magnético terrestre. Cordova, do Laboratório Nacional da ISS, considerou que as condições da estação são relativamente controladas, em comparação. Ainda assim, o Spaceborne-4 mantém a mesma arquitetura protegida por software e dissipa o excesso de calor através dos radiadores do rover. Scott Wiest, diretor de tecnologia da HPE, afirmou que o computador deverá durar toda a vida da missão, planeada como uma aventura de 10 dias.

Para as equipas que operam este rover, o primeiro ganho é um teste: se os modelos resistirem, as experiências do FLIP vão mostrar se a IA de bordo pode ajudar a uma navegação segura e reduzir os dados enviados para a Terra, a partir de um lançamento previsto já em novembro de 2026. O FLIP é também o primeiro de uma série de veículos da Astrolab contratados pela NASA, incluindo futuros jipes que transportarão os astronautas do programa Artemis à superfície. O maior benefício, como Cordova e Fernandez o encaram, está nas missões longínquas, onde esperar pela Terra custa tempo e dados. Roser Almenar, investigadora em IA e direito espacial na Universidade de Valência, vê no LLM um «potencial enorme» para Marte e não só, mas alerta que estes sistemas «podem produzir informação incorreta ou enganadora», e que no espaço até um pequeno erro pode ter consequências graves.

quase três vezesRadiação cósmica na superfície lunar comparada com o interior da ISS

Fontes — ler os originais(hora de Paris)

MIT Technology ReviewEN
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