Fármaco que reduz o cobre preserva a saliva em ratinhos irradiados

A radioterapia destrói células cancerígenas, mas pode também deixar um custo duradouro. As glândulas produtoras de saliva podem ficar danificadas, e a boca seca daí resultante pode persistir muito depois de terminar o tratamento. Olga Baker, professora na Faculdade de Medicina da Universidade do Missouri, conhece esse custo dos anos em que foi dentista: «Vi em primeira mão os danos que a radiação causou nas glândulas salivares de alguns dos meus doentes.» Num novo estudo, a equipa descobriu que um fármaco chamado tetratiomolibdato, ou TTM, ajudou os ratinhos a continuar a produzir saliva após a radiação.
A abordagem assenta numa cadeia de causa e efeito. A radiação pode provocar uma acumulação excessiva de colagénio, uma proteína estrutural, nas glândulas salivares, o que as torna rígidas, as danifica e, em última instância, reduz a saliva. Michael Petris, coautor que estuda o papel do cobre no organismo, conhecia o TTM, que reduz a quantidade de cobre disponível para os processos biológicos. Como o cobre tem um papel na produção de colagénio, Baker e Petris formularam a hipótese de que limitar o cobre poderia reduzir a acumulação de colagénio. A equipa deu aos ratinhos TTM na água de beber durante sete dias antes e depois do tratamento com radiação.
O resultado foi que os ratinhos tratados mantiveram a produção de saliva mesmo após a radiação. O estudo, dirigido por Kihoon Nam e publicado em Advances in Radiation Oncology em 2026, é um resultado de laboratório em animais. A equipa não divulgou resultados em pessoas, nem publicou uma dose ou um calendário para uso humano.
Para os doentes, o benefício far-se-ia sentir no conforto diário e não nos resultados do tratamento do cancro. Baker descreve o que a boca seca retira: «Quando vemos doentes que precisam de um humidificador para dormir à noite, sem medo de sufocar, ou doentes que já não conseguem apreciar plenamente o sabor de diferentes alimentos, percebemos o impacto que este trabalho pode ter na qualidade de vida e na saúde oral dos doentes.» Se o fármaco funcionar em estudos com animais de maior dimensão, as pessoas submetidas a radiação poderão um dia ser poupadas a essa perda, mas esse passo ainda está por dar.
O primeiro obstáculo é a segurança do próprio tratamento do cancro. A prioridade dos investigadores é confirmar que o TTM não reduz a capacidade da radiação para destruir células cancerígenas. Só se estudos pré-clínicos maiores mostrarem que o TTM protege as glândulas salivares sem enfraquecer esse efeito é que a investigação poderá avançar para ensaios clínicos. Ainda não foi definida uma data para essa fase.
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