Modelo do Queensland pode reduzir esperas por diagnóstico infantil

Para uma criança com uma doença imunitária grave, o diagnóstico pode demorar um ano a chegar. Um novo modelo de testes genéticos, estudado por investigadores da Universidade de Queensland em conjunto com a Children's Health Queensland, poderia reduzir essa espera para apenas duas semanas.
Existem mais de 500 doenças imunitárias genéticas que podem ser fatais, deixando as crianças mais expostas a infeções, alergias, inflamações, doenças autoimunes e cancro. Os tratamentos dependem da doença e podem incluir transplantes de células-tronco, infusões de anticorpos no sangue ou medidas de prevenção de infeções. A dificuldade está muitas vezes no primeiro passo. A doutora Tatiane Yanes, do Instituto Frazer da UQ, chama aos testes genéticos o teste do «porquê»: as crianças são internadas com doenças inexplicadas e, enquanto a causa não for conhecida, os médicos não conseguem dirigir o tratamento.
A equipa analisou nove anos de dados de testes genéticos de 322 crianças submetidas a testes através do serviço de imunologia pediátrica do Queensland. As falhas eram concretas. Em 30% dos casos, as crianças foram sujeitas a análises de sangue duplicadas sem motivo. Algumas famílias esperaram longos períodos pelos resultados de amostras de sangue enviadas para o estrangeiro, e outras foram encaminhadas para vários especialistas.
O novo modelo integra as análises de patologia clínica no próprio hospital e simplifica o acesso aos especialistas. As reuniões de equipas multidisciplinares, em que os especialistas partilham conhecimentos sobre cada caso, reduziram a necessidade de encaminhar os doentes para vários especialistas diferentes, segundo o imunologista do Queensland Children's Hospital, o doutor Peter McNaughton. Com o modelo, uma vez feito o diagnóstico, o plano de tratamento mudou em 90% dos casos.
Para as famílias, o ganho é tempo. McNaughton defende que iniciar cedo um tratamento dirigido significa menos problemas acumulados e menos danos nos órgãos, e uma melhor oportunidade para as crianças irem à escola em vez de viverem entre internamentos e idas ao hospital. Os números são do próprio estudo, baseados num único serviço. Os valores de 12 meses e de duas semanas descrevem o que o modelo pode alcançar, mas o estudo não diz como funcionaria noutros hospitais ou estados.
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